Tarso Dutra, uma vida dedicada ao interesse público
Tarso de Moraes Dutra nasceu em Porto Alegre, em 15 de maio de 1914, filho de Vicente de Paula Dutra e de Tarcília Moraes Dutra. Desde cedo interessou-se por questões de Estado, desenvolvendo, ao longo de quatro décadas, uma das mais frutíferas e vigorosas vocações políticas da nossa história republicana.
Político de perfil conservador, estudioso, sempre dedicado ao cultivo das letras, soube mesclar sua natural atração pelas disputas eleitorais com a vocação para o mundo do pensamento e da reflexão política. De início, essa vocação política foi sustada pelo Estado Novo, de modo que lhe foi necessário esperar a redemocratização do país e a Constituição de 1946 para disputar seu primeiro mandato, obtido aos 32 anos, como deputado à Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul. A essa eleição seguiram-se outras cinco, sucessivas, entre 1951 e 1971, como deputado federal pelo seu PSD (o Partido Social Democrático, extinto pelo Ato Institucional Nº 2, em 1965) e pela ARENA (a Aliança Renovadora Nacional, extinta em 1979). Em 1970 foi eleito senador pelo Rio Grande do Sul e cumpriu um segundo mandato entre 1979 e 1983 eleito indiretamente pela Assembléia Legislativa do Estado, na forma da lei vigente à época.
No decorrer dessa longa e intensa vida pública, o advogado Tarso Dutra desempenhou importantes funções de governo, como Chefe da Casa Civil do Estado, Secretário de Estado e como Ministro da Educação durante o governo Costa e Silva, entre 1967 e 1969. Como ministro, foi o responsável pela criação do Mobral (Movimento Brasileiro de Alfabetização), que produziu um intenso e bem sucedido esforço no sentido de reduzir o índice de analfabetismo no Brasil, então na ordem dos 35%.
Como ministro da Educação, atritou-se com o movimento estudantil, que demonstrou descontentamento com as propostas de reforma da educação no país. Foi sob sua gestão que, no dia 28 de março de 1968, num conflito entre policiais militares e secundaristas, ocorreu a morte de um estudante, fato singularque, até hoje, malgrado sua singularidade, é lembrado como um símbolo.
Permaneceu no cargo durante a instalação da junta que assumiu o poder após a saída de Costa e Silva. Emilio Garrastazú Medici, no entanto, quando assumiu, em 1969, o substituiu por Jarbas Passarinho. Seu sucessor foi o responsável pela implantação da reforma universitária discutida durante sua permanência na pasta.
Homem de posições firmes, Tarso Dutra alinhou-se sempre com os ideais de desenvolvimento e austeridade que constituíam as aspirações do movimento revolucionário instalado em 31 de março de 1964. Essa coerência e a nunca questionada integridade o fizeram homem de muitos amigos e de eleitorado crescente. Por isso, acumulou mais de duas centenas de honrarias e homenagens consubstanciadas em medalhas, títulos e diplomas, concedidos por municípios, Estados e organizações sociais de todo o País e do Exterior. É autor de diversos trabalhos publicados com ênfase na ordem política e na Educação.
Faleceu muito prematuramente, antes de completar 69 anos. Verdadeira multidão de amigos e admiradores acompanharam os atos finais de seu sepultamento em Porto Alegre.



